O que vou relatar aqui é simplesmente a verdade, com alguns pontos polêmicos ou porque não dizer diferenciado, mas, sempre um fundo de verdade...
Imaginemos que para nos deslocar ao bendito trabalho nós temos que no valer de um ônibus, ou como alguns o chamam carinhosamente de “buzú”. Ao iniciarmos a viagem neste glorioso dia, como sempre este ramal está atrasado, fora de horário, descoordenado, em fim lá vamos nós. Na primeira parada entra um sujeito vendendo balas.
- Desculpem incomodar o silêncio da viagem, mas trago aqui as deliciosas balas de menta da Vovó Chiquinha, as únicas que dão um frescor saboroso ao seu hálito, não possuem nenhum tipo de açúcar, é um poderoso aditivo contra a rouquidão, combate à celulite e febre aftosa..., Por apenas R$ 1,00 você leva cinco paga 10, prá me ajudar, pois tenho seis filhos estou desempregado, se não quiser as balas me ajude com o real... quem vai, olha aÊE!!!
Bem este camarada desce dois pontos adiante, logo vem outro.
- Senhoras e senhores trago aqui às deliciosas jujubas “Pé de vento” as únicas produzidas em Cariobocó, no estado de Tocantins do leste, são produtos de alta qualidade, se vendidas na rede de supermercados dos shoping’s estaria custando R$ 5,00, mas estamos fazendo uma promoção você leva quatro jujubas por apenas R$ 2,00, aceito vale-transporte, cheque, cartão de crédito...
Podemos perceber que pura embolação, se nem a tal cidade existe quanto mais o estado, este troço deve ser feito por ele mesmo no fundo do quintal...
E o bombardeio continua, entra um “evangélico”.
- Abençoados estou aqui para levar mais uma vez a palavra de Jesus, tudo está escrito aqui nesta Bíblia (diz batendo com força na pobre coitada, que parece apanhar mais do que ser realmente lida, se é que ele sabe ler).
- Irmãos, Mateus no versículo 14 do livro “Primeiros os Teus”, página 9.999 (a bíblia dele tem mais páginas que a dos outros) Ide-vos falar aos passageiros daquele ônibus, das delícias do paraíso, e faça com que eles se arrependam de seus erro, senão o final será o inferno (mudou até o ponto final da linha).
- Tá repreendido o satanás, os orixás, os ananás, e tudo que terminar em ás.
- Mas tem uma solução para resgatar a suas almas, basta contribuir com um décimo do que tens ai no bolso, e abrirei a porta dos céus para vós... (dizendo isso começou a passar uma sacolinha e esfregando o dedo polegar no indicador solicitava uma contribuição... quem não contribuiu ouvia a expressão “vades retro...”).
É claro que nem sempre temos vendedores temos alguns que entram com intuito de melhorar o nosso astral, são os cantores, tocadores de sanfona, que fazem uma pequena apresentação, por alguns trocados, temos também os palhaços, que nos levam “cobres” em troca de uma piada ou um duvidoso ato de equilibrismo.
Ainda há aqueles passageiros que nos brindam com conversas ao celular e assuntos, que só podemos deduzir do que pode ser. Preste atenção neste trecho.
- Dididododidodommm... (telefone tocando)
- Simmmmm... (parece conhecer a interlocutor)
- É... Não.
- ...não não...
A pessoa do outro lado continua insistindo.
- EU DISSE NNNÃÂÃAAOOO, NÃO (a mulher já estava aos berros, ou outros passageiros, ficaram em silêncio, aguardando o desfecho),
- VOCÊ É SURDO, MALUCO, BESTA OU IDIOTA...
- NNNÃÃAÕOOO (... E desligou. Bem que todos nós gostaríamos de saber por que não... Mais que teria coragem de perguntar... Arriscar a levar uma “celulazada na cara...”).
Há casos tipo aquele telefonema que uma garota recebe...
-Ateende atendeeedeeee (que toque esquisito)
- OIIIII (isso já olhou o número e confirmou que é “ele”... por isso a voz dela tem aquela entonação melosa...).
- Sim... não sei, há talvez...(há um longo período que só os olhos brilham...)
- Você hemm? Então como assim!!!(o camarada está se esforçando para quebrar o gelo, quem está por perto está ligado, e neste caso, tinha no ônibus um tatuado, que parecia estar interessado na garota, pois suas orelhas estavam esticadas ao máximo e os olhos tentavam captar o que os ouvidos não conseguiam decifrar, para que o cérebro pudesse analisar...).
- Ah... ahaamm rs rs rs (risos) (e o tatuado já estava em tempo de tomar o celular, pois os olhos não desviavam da garota que continuava ainda por cima enrolando languidamente o cabelo...).
- A que horas... Vá...hummm... Tá umm beijão... Já tou saltando... (desligou. O tatuado deu um suspiro forte, murmurou algo ininteligível, fez menção de saltar também, porém desistiu, considerou que era batalha perdida...).
Sabemos que nem todos os passageiros são tão educados, pois já tivemos brigas, discussões, reclamações!
Ah! Ai me esquecendo das bolsas, sim as enormes bolsas quês no momento estão ao em moda, caramba, como as senhoras e senhoritas colocam coisas dentro delas.
Certa vez eu mesmo fui o protagonista, uma senhora, carregando uma gigantesca bolsa, ficou bem próxima da cadeira onde eu estava sentado, muito solícito me ofereci para segurar a bendita bolsa (meu maior erro). A bolsa deveria pesar uns 120 quilos, calculei de poderia ter dentro um arsenal de ferramentas tais como: (Suposição) espelhos, perfumes, batons, conjuntos para colorir os olhos (dos grandes com dezenas cores), um álbum de fotos de toda a família, um livro de auto-ajuda, (Mulher do século 21), uma revista de doces e salgados, uma revista de novelas, uma chapinha, aquele troço que enrola as pontas dos cabelos, loção hidratante, remédio para pressão, gripe, dor de cabeça, cartão do plano de saúde, moedas, celular e o inseparável carregador, canetas e lápiz (garantia dobrada) máquina de calcular, grampeador, abridor de lata, um ferro de passar roupa, um rolo de pastel, um conjunto chaves de fenda uma marreta (sabe Deus para quê), uma furadeira... Ufa! Acredito que havia até um colchonete, e com certeza um revolver calibre 38 cano longo com munição, esta estava preparada para o dia a dia desta cidade, uma faca “sete tostões”, não esquecendo o lanchinho, três laranjas, dois maçãs, uma barra de chocolate, um saquinho de balas, dois potinhos de iogurte, sim o principal uma fita de Senhor do Bonfim amarrada ao conjunto de chaves da casa, da mesa do escritório, do cofrinho, do portão, do armário da dispensa, do guarda-roupa, do cadeado da casa do cachorro. Quase me esqueço do conjunto de argolas, dos braceletes, da corrente com a imagem de Nossa Senhora Aparecida (já benzida), dos parafusos e de um pedaço de arame farpado, (Jesus pra que?) E deveria haver mais coisa que eu conto em outra oportunidade...
Como não poderia deixar de falar das mochilas (verdadeiras “MUXILAS”).
Certa vez fui obrigado a segurar uma delas, pois o sujeitinho, tendo colocado a dita à frente da barriga (barriga por sinal relativamente avantajada), teimava em empurrar na direção de meu rosto (sentar na ponta do banco do lado do corredor é dose!), então com toda educação pedi para segurar a dita cuja. Rapaz! Quando o camarada desencilhou aquele troço, e quando eu coloquei sobre as pernas, puxa vida como pesava, e como cheirava mal...
Fiquei pensado o que poderia conter aquele “saco de gatos”.
Pelo peso poderia supor que tinha pelo menos uns vinte quilos de carne de sertão, uma caixa de ferramentas de mecânico, contendo todas as 18 chaves de fenda, quatro marretas, um conjunto completo de chaves de boca, dois pés de cabra, um cambão, (tubo em aço para tracionar veículo quando quebra em via pública medem em média 2 a 3 metros), uns 4 litros de cachaça “Chora na Rampa”, um rolo de corda de 20 metros, uma vara de pescar retrátil,(pelo movimento interno que percebi, acredito que ainda havia pelo menos umas três a quatro piranhas vivas, naquela mochila, provavelmente haviam comido algumas folhas que pude ver pelos rasgos, (de cheiro “estranho” e aparência de alfazema, com certeza era a “erva”. Sem contar que aparecia a ponta de um pacote de cor amarelada bem compacto também muito suspeito.
Fiquei mais nervoso quando um dos celulares resolveu tocar (havia cinco), (dois Note book’s com impressora e tudo) o sujeito meteu a mão naquela mixórdia e começou a tirar celular... No 4° achou o que estava tocando, imaginem era engano. (justificou a quantidade de celulares dizendo ser cada um de uma Operadora...)
Nesta abertura pude vislumbrar algo que me deixou estarrecido, havia um cano de ½ polegada e atrás dele um tambor com seis furos e uma culatra de madrepérola (Tradução Revolver PEACEMAKER (Pacificador) calibre 45 reforçado) Jesus aquilo seria capaz de fazer um rombo numa parede de concreto, e estava bem ali olhando para mim.
Foi quando sentir o veículo parar, policiais estavam fazendo uma blitz. Tratei logo de colocar a “MUXILA” no banco, e disse para o sujeito que seria bom que não demorássemos, pois certos servidores da lei ficam muito nervosos nessas abordagens. Pasmem o cara nem olhou para mim, fazendo assim o tipo “nem ti conheço”.
Rapaz, depois que fomos revistados (todos menos o camarada que sumiu como fumaça), um policial começou a perguntar.
- Senhores de quem é esta “MUXILA” aqui? Esperou uns dois minutos, silêncio, total.
- Senhores de quem é esta DESGRAÇA de “MUXILA” PORRAAA???
Olhávamos todos uns para os outros, cada um dava uma ou várias desculpas.
- minha é que não é. Dizia um...
- “Muxila.” Aonde? Quando? De Quem Será?
- Deve ser do “Monstrorista”, ou do “cobra”. Arriscou um.
- Eu sou Bahia, e troço todo preto só pode ser de torcedor do Vitória...
- Eu vi quando ele saltou! Falou um baixinho, e foi o primeiro a tomar uma tapaça e quase engoliu a dentadura.
- Eu não vi nada, ela estava lá atrás. Disse um candidato a X9
- ÊEEPPAAAA, eu tenho certeza que ele entrou pela frente, mostrou até uma carteira pra o “motor”.
Nisso a discussão já estava formada, cada um dizia que o “sujeito”, era alto magro gordo, branco, preto, tinha tatuagem, usava argola no nariz, tinha uma só perna, usava um par de óculos, faltava um dente (especificamente o dente molar, aquele que nasce por último) (popularmente conhecido por “dente queiro”).
Pronto com esta descrição perfeita os policiais, tinham um verdadeiro retrato falado, como qualquer pessoa inteligente, poderiam reconhecer esta “pessoa” em qualquer lugar. Tiveram a brilhante idéia de “baixar o sarrafo”, em todos os homens, e quando iriam começar, fomos salvos por um acontecimento inusitado. Próximo ao local da blitz, um banco estava sendo assaltado, quando os bandidos saíram atirando depararam com o carro da polícia, pensaram que estavam sendo ameaçados, começaram a atirar.
Então um maluco começou a gritar.
- LÁ VÊM OS DONOS DA MUXILA!!!
Foi uma correria tremenda, até um capenga passou por mim que nem Felipe Massa pegava, foi gente correndo pra todo lado tiros, gritos um desespero. Tem gente que corre até agora...
Moral da estória. Nunca segure “MUXILA” desconhecida...
Principalmente se for em um ônibus que seja de uma determinada linha...
E finalizando, ninguém ficou sabendo o que realmente continha a. ”MUXILA”
Nem a polícia...
Aloísio Batista
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